Alerta máximo para o câncer colorretal no Brasil
Entenda por que o número de casos está avançando e saiba como se proteger
O câncer colorretal, também conhecido como câncer do intestino, é o tipo que mais cresce no Brasil, com perspectiva de aceleração nas próximas décadas. Embora seja evitável e tratável quando identificado precocemente, é o 3º tipo de tumor mais comum, entre homens e mulheres, e o 2º tipo que mais mata.
Para o Dr. Henrique Manata Eloi, médico de Família e Comunidade da clínica de APS da Copass Saúde, em Belo Horizonte, o crescimento dos casos está relacionado a mudanças no estilo de vida da população – um dos principais fatores de risco para a doença -, além do aumento dos testes de rastreio, que permitem maior número de diagnósticos.
Mesmo com avanços no rastreamento, a letalidade permanece elevada, pois a gravidade do câncer está diretamente ligada ao estágio em que é descoberto. Como é uma doença sem sintomas em fase inicial, explica o médico, boa parte dos casos tem diagnóstico tardio.
ESTILO DE VIDA: O GRANDE VILÃO
Entre os principais fatores de risco para o câncer colorretal destacam-se hábitos de vida como:
- alimentação rica em carne vermelha, embutidos, alimentos condimentados e ultraprocessados;
- baixo consumo de fibras, frutas e vegetais;
- consumo excessivo de álcool e tabagismo;
- sedentarismo;
- obesidade.
O PESO DO HISTÓRICO FAMILIAR
A hereditariedade é um fator considerável para o câncer colorretal. Algumas condições que têm componente genético aumentam o risco da doença, como a adenomatose familiar e doenças inflamatórias intestinais, como a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa.
Mesmo na ausência dessas doenças, o histórico familiar deve ser investigado. Segundo o Dr. Henrique, pacientes com parentes de primeiro grau diagnosticados com câncer colorretal precisam de acompanhamento mais cuidadoso. Nesses casos, é indicado que o rastreamento da doença comece 10 anos antes da idade em que o familiar recebeu o diagnóstico.
ALTA MORTALIDADE = DIAGNÓSTICO TARDIO
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), em mais de 70% das mortes por câncer colorretal no Brasil, a doença foi diagnosticada em estágios avançados, comprometendo o tratamento. Isso se deve, em grande parte, à demora no aparecimento dos sintomas.
Por outro lado, quando tratado precocemente, a taxa de cura é alta. Além disso, métodos de rastreamento, como a colonoscopia, permitem detectar e tratar alterações no intestino antes mesmo de se tornarem câncer.
SINTOMAS
Ainda que a doença seja silenciosa no início, alguns sinais podem indicar alterações:
- mudança persistente no hábito intestinal (diarreia ou prisão de ventre);
- mudança no formato das fezes (formato em fita, mais achatado);
- sensação de evacuação incompleta ou desconforto anal;
- sangramentos;
- anemia;
- perda de peso.
RASTREAMENTO QUE TRATA
Os principais testes de rastreamento do câncer colorretal são:
Exame de sangue oculto nas fezes – é um procedimento simples e de baixo custo que faz uma triagem para identificar possíveis alterações no intestino. O resultado positivo não é específico para o câncer, pois pode ser influenciado por outras condições, mas serve de alerta e indicação para realização da colonoscopia.
Colonoscopia – é o exame “padrão-ouro” para detectar o câncer colorretal. Embora seja mais invasivo e exija preparo rigoroso, permite identificar e remover pólipos antes que se tornem câncer, possibilitando análise por biópsia e prevenindo a progressão da doença.
Quando e como fazer o rastreamento?
- Em pessoas sem sintomas, deve ser iniciado a partir dos 50 anos para todos ou 45 anos para grupos selecionados por maior risco.
- O exame de sangue oculto nas fezes é indicado quando não há sintomas e deve ser realizado anualmente, mesmo com resultado negativo.
- A colonoscopia é mais completa e dispensa o exame de sangue anual. Se não apresentar alterações, pode ser repetida em intervalos de até 10 anos. Quando são encontrados pólipos, os intervalos devem ser menores, a cada 3 ou 5 anos, de acordo com os achados.
A SEGURANÇA DO ACOMPANHAMENTO PELA APS
O acompanhamento periódico e multidisciplinar realizado na atenção primária faz toda a diferença para a prevenção do câncer colorretal. A avaliação inicial considera principalmente a idade, hábitos de vida e fatores de risco do paciente, que define, em conjunto com o médico, a melhor estratégia de acompanhamento.
De acordo com o Dr. Henrique Eloi, a indicação dos exames de rastreamento dever ser individualizada, considerando o perfil e condições de cada pessoa. Em determinados casos, pacientes sem fatores de risco e sem histórico familiar, podem iniciar o rastreamento com o exame de sangue oculto nas fezes anual e adiar a colonoscopia, conforme avaliação médica.
NÚMEROS QUE ACENDEM O ALERTA NO BRASIL
Mortalidade Em 20 anos (2003-2023), as mortes pela doença aumentaram cerca de 47%, atingindo 24.773 óbitos em 2023. A mortalidade por câncer colorretal deve crescer 36,3% nos próximos 15 anos.
Estimativa de casos
Em 2025, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) estimou a ocorrência de cerca de 45.630 casos de câncer colorretal no país. Para o triênio 2026-2028, a projeção é de 53.810 novos casos por ano.

Fontes: Ministério da Saúde / Instituto Nacional do Câncer – INCA (projeção triênio 2026-2028) / Fundação do Câncer (Boletim info.oncollect – edição 2025)
Esse conteúdo foi produzido por meio do convênio Saúde em Dia, uma parceria entre Copass Saúde e GNSS – Gerência de Saúde e Segurança do Trabalho da Copasa.