Menopausa: mais cuidado, mais soluções, menos sintomas
Acompanhamento individualizado e tratamentos bem indicados oferecem alívio para todos os desconfortos desse período desafiador na vida da mulher.
A menopausa, em si, é o fim do ciclo reprodutivo feminino, diagnosticado pela ausência de menstruação por 12 meses consecutivos. Porém, os sintomas, em geral, chegam bem antes e podem perdurar por mais tempo. É uma fase natural do organismo da mulher, mas que pode trazer impactos significativos em sua saúde e qualidade de vida. Por isso, é fundamental que ela seja bem acompanhada neste período e conheça as diversas – e cada dia mais avançadas – possibilidades de tratamento, que deve ser totalmente individualizado.
CLIMATÉRIO E MENOPAUSA
A Dra. Melissa Lopez Carrasco, médica de Família e Comunidade da clínica de APS da Copass Saúde, em Belo Horizonte, explica que, embora menopausa seja um termo mais conhecido, o nome dado a todo o período de transição entre a fase reprodutiva da mulher e o fim do ciclo menstrual é climatério. A menopausa, acontece, em média, próximo dos 50 anos e o climatério começa, em geral, até 5 anos antes. É nessa época que se inicia a queda dos hormônios sexuais (progesterona e estrogênio), provocando os temidos sintomas. Mas tanto o tempo quanto a intensidade dos sintomas são muito variáveis, podendo passar despercebidos para umas mulheres enquanto são um desafio para outras.
O climatério se divide em fases:
. Perimenopausa ou pré-menopausa: quando os ciclos menstruais começam a se tornar irregulares, devido à queda hormonal, mas ainda não cessaram. Aí se iniciam os sintomas.
. Menopausa: é a última menstruação, confirmada após 12 meses consecutivos sem menstruar.
. Pós-menopausa: período que segue após o fim do ciclo menstrual, no qual os sintomas podem se intensificar, inicialmente, mas tendem a se estabilizar.
SINTOMAS E TRATAMENTOS
Cada mulher vivencia o climatério de um jeito. Segundo a Dra. Melissa, os tratamentos são para aliviar os sintomas e são indicados quando eles começam a interferir na qualidade de vida da mulher. Existem diversas opções terapêuticas de acordo com o tipo e a intensidade desses sintomas.

MUDANÇA DE HÁBITOS E ACOMPANHAMENTO MÉDICO
Para todas as mulheres no climatério é imprescindível que sejam adotados -independentemente da necessidade ou escolha de tratamentos para os sintomas – hábitos como atividade física regular e alimentação saudável, além da cessação do tabagismo.
O acompanhamento médico individual e regular também é essencial, mesmo para mulheres sem sintomas, visto que ocorrem muitas mudanças nessa fase da vida.
A TERAPIA DE REPOSIÇÃO HORMONAL
A TRH é indicada para sintomas moderados a graves, sem contraindicações, e deve ser definida em conjunto com o médico, considerando o impacto desses sintomas na qualidade de vida da paciente e sua opção pelo método, salienta a Dra. Melissa. “Apesar de ainda existirem muitos receios sobre a reposição hormonal, ela pode ser a melhor escolha quando os sintomas comprometem significativamente o bem-estar.”
A terapia hormonal conta hoje com diversas opções, cada vez mais modernas. Pode ser feita por via oral (comprimidos), transdérmica (adesivos ou géis) ou vaginal (cremes). A escolha deve sempre considerar a menor dose eficaz para cada mulher.
Contra-indicações: casos de câncer de mama atual ou prévio, alto risco cardiovascular, histórico de trombose ou sangramento uterino sem causa definida.
Quando começar e parar?
O ideal é iniciar a TRH antes dos 60 anos ou até 10 anos após a menopausa. Quando os sintomas são leves ou moderados, é possível apenas acompanhar e definir o melhor momento para intervir, afirma a Dra. Melissa.
A terapia não é para sempre: pode variar, chegando a cerca de 10 anos ou menos, sempre com acompanhamento individualizado para avaliar o momento adequado de suspensão.
Quais os riscos?
Os principais riscos da TRH são maior probabilidade de desenvolver trombose venosa e câncer de mama, especialmente com o uso prolongado de terapia combinada e na presença de fatores de risco individuais (como histórico familiar de câncer de mama). Assim, cada caso deve ser considerado individualmente, para avaliar se os benefícios superam os riscos.
O CUIDADO DA MULHER NA APS
O acompanhamento do climatério na APS se inicia em geral, entre os 40 e 45 anos, quando podem surgir as primeiras mudanças no ciclo menstrual e sintomas. Antes dos 40, considera-se menopausa precoce. Segundo a Dra. Melissa, a avaliação inicial é principalmente clínica, com foco no levantamento detalhado das queixas e na intensidade dos sintomas, já que os exames hormonais nem sempre refletem imediatamente as alterações percebidas.
Quando é identificada a indicação e interesse da mulher pela reposição hormonal, o encaminhamento para um especialista é recomendado, devido à individualização do tratamento. A reposição hormonal ou métodos alternativos não resolvem todos os aspectos dessa fase. Existem ainda outras estratégias importantes, como orientação para atividade física, alimentação adequada e acompanhamento regular.
O mais importante, ressalta a médica, é garantir acolhimento e suporte contínuo, reforçando que a mulher não está sozinha nesse período que, para a maioria, é desafiador.
Esse conteúdo foi produzido por meio do convênio Saúde em Dia, uma parceria entre Copass Saúde e GNSS – Gerência de Saúde e Segurança do Trabalho da Copasa.