A relação entre diabetes e saúde bucal
Intensificar o acompanhamento e os cuidados para manter a boca saudável precisa fazer parte da rotina da pessoa com diabetes.
A diabetes é uma doença crônica que afeta todo o organismo e mantê-la sob controle é essencial para evitar complicações. Quando está descontrolada, aumenta o risco para várias doenças, inclusive na boca, que é a principal porta de entrada do corpo.
A boca abriga a maior concentração de bactérias do organismo, incluindo benéficas para a saúde e patogênicas. Se as bactérias nocivas se multiplicam mais do que deveriam, o ambiente fica propício a problemas como cáries, doença periodontal, infecções por fungos, como a candidíase oral, entre outros. Com a diabetes descompensada, o organismo perde parte da sua capacidade de defesa e a cicatrização da pele e das estruturas da boca ficam prejudicadas. Além disso, a infecção instalada na boca pode entrar na corrente sanguínea, piorando a condição geral de saúde.
Assim, pessoas com diabetes precisam ter uma atenção especial à sua saúde bucal. Segundo a Dra. Lina Chaves, periodontista da clínica de Atenção Primária à Saúde (APS), própria da Copass, em Belo Horizonte, tanto a diabetes descontrolada pode causar doenças bucais quanto a saúde bucal comprometida pode agravar quadros da diabetes. Por isso, o acompanhamento odontológico tem que fazer parte do cuidado.
Fatores de atenção
Atualmente, a diabetes é considerada um fator de predisposição à doença periodontal, que afeta a gengiva, explica a Dra. Lina. É uma condição associada a diversas causas como higienização inadequada e questões imunológicas, que podem ser geradas pela diabetes. A doença provoca perda óssea e, consequentemente, a perda de gengiva, o que afeta a estrutura dentária, deixando os dentes bambos e levando à sua perda.
Outra questão importante é a xerostomia, ou boca seca, que é uma queixa comum dos pacientes com diabetes, principalmente idosos. O ressecamento da boca não é causado pela diabetes em si, mas pelos medicamentos usados no tratamento, que provocam a redução do fluxo salivar. Essencial para a saúde bucal, a saliva ajuda a remineralizar os dentes, reduzindo o risco de cáries, remove resíduos de alimentos e possui ativos anti-inflamatórios que protegem a gengiva. Como, em muitos casos, a medicação para diabetes é indispensável, existem opções de tratamento para a xerostomia, salienta a periodontista, mas a prescrição correta depende da avaliação odontológica de cada paciente.
Cuidados essenciais
Manter a diabetes controlada é, antes de tudo, um fator fundamental para a saúde bucal. Já os cuidados preventivos para pessoas com diabetes são os mesmos recomendados para qualquer pessoa, mas o acompanhamento regular é ainda mais importante para identificar alterações e tratar problemas em estágio inicial.
A rotina de higiene deve incluir escovação por, no mínimo, três minutos, alcançando todas as áreas da boca, além do uso adequado de pasta de dente, fio dental e outros instrumentos de limpeza interdental. Segundo a Dra. Lina Chaves, há diversas opções de ferramentas de limpeza disponíveis, mas apenas o dentista pode orientar quais são as mais adequadas para cada paciente, pois a indicação é individualizada.
Acompanhamento periódico
A periodicidade da consulta odontológica para quem tem diabetes depende da avaliação inicial. Para pacientes saudáveis, que não têm nenhum problema específico, o acompanhamento deve ser feito a cada seis meses. Quando o paciente tem doença periodontal, a prevenção deve ser feita a cada três meses. Caso surja alguma queixa, é importante buscar atendimento de urgência.
Sinais de alerta para a saúde bucal
A periodontista chama a atenção para alguns sinais bucais que indicam a necessidade de avaliação e acompanhamento odontológico:
. Sangramento da gengiva, mesmo que eventual, não é normal e deve ser avaliado;
. Sensibilidade a doce e calor, que pode indicar lesões relativas a cáries;
. Sensibilidade a gelados, que pode ter relação com perda de estrutura gengival;
. Sensação de boca seca, que tem relação com medicação e pode ser tratada;
. Refluxo noturno, que pode causar erosão dentária.
Atenção especial na APS
De acordo com a Dra. Lina, é comum ver pacientes com diabetes chegarem ao consultório com problemas bucais em fases avançadas, que poderiam ter sido prevenidos com o acompanhamento adequado. Por isso, ela ressalta a importância da avaliação odontológica periódica e integrada ao atendimento realizado pela Atenção Primária à Saúde (APS).
“Muitas vezes, o tratamento odontológico é algo traumático para o paciente e, nesse ponto, a terapia psicológica oferecida pela APS pode intervir e auxiliar. Além disso, não raro, a suspeita de diabetes surge no consultório odontológico e o paciente tem todo o encaminhamento para o diagnóstico e tratamento especializado da doença”, afirma a periodontista.
Na APS, o paciente com diabetes tem o acolhimento necessário e todo o seu acompanhamento é feito por equipe multidisciplinar. Isso permite que o atendimento odontológico, médico, psicológico e nutricional caminhem juntos e conversem entre si, o que facilita e torna a assistência integral e eficaz.
Esse conteúdo foi produzido por meio do convênio Saúde em Dia, uma parceria entre Copass Saúde e GNSS – Gerência de Saúde e Segurança do Trabalho da Copasa.