Intolerância à lactose: muito mais que desconforto
Entender o que é, como se desenvolve e as formas de lidar com o problema é essencial para garantir qualidade de vida e evitar restrições alimentares desnecessárias.
Intolerância à lactose é a incapacidade ou dificuldade de digerir a lactose (açúcar do leite). Ela ocorre por uma deficiência ou ausência da produção da lactase, enzima intestinal que decompõe o açúcar do leite para a sua melhor absorção pelo organismo. Estima-se que 40% da população brasileira tenha intolerância à lactose, com baixa ou nenhuma produção da enzima lactase, porém, nem todos têm diagnóstico ou tratam adequadamente.
A nutricionista Lucheska Brito, da clínica de Atenção Primária à Saúde, da Copass Saúde, em Pouso Alegre, explica que a intolerância à lactose não é uma doença, mas uma condição que decorre da redução natural da enzima lactase que ocorre após a suspensão da lactação. E se os sintomas, principalmente a diarreia, não são tratados, além do desconforto abdominal permanente, pode haver sérios danos à flora intestinal, prejudicando a absorção de vitaminas e nutrientes, enfraquecendo o organismo e causando outras complicações intestinais.
SINTOMAS DA INTOLERÂNCIA À LACTOSE
Os principais sintomas da intolerância à lactose são inchaço abdominal, flatulência, cólicas intestinais, náuseas e disbiose, desequilíbrio da microbiota intestinal que causa diarreia. Os sintomas surgem a partir de uns 30 minutos após o consumo da lactose e perduram em torno de 12 a 24 horas.
Segundo a nutricionista, a reação ao alimento com lactose depende da quantidade ingerida e, principalmente, do nível de produção da enzima lactase pelo organismo. Se houver uma produção baixa, a pessoa pode ter sintomas mais brandos. Já se não houver nenhuma produção, a reação pode ser mais grave, mesmo com uma pequena quantidade de lactose ingerida.
Segundo a nutricionista, a reação ao alimento com lactose depende da quantidade ingerida e, principalmente, do nível de produção da enzima lactase pelo organismo. Se houver uma produção baixa, a pessoa pode ter sintomas mais brandos. Já se não houver nenhuma produção, a reação pode ser mais grave, mesmo com uma pequena quantidade de lactose ingerida. Vale destacar que apenas 2% dos intolerantes apresentam sintomas graves.
É importante mencionar que sintomas de diarreia, gases e distensão abdominal também podem ser decorrentes de uma condição digestiva comum denominada síndrome do intestino irritável, cujo tratamento é sintomático e por meio de orientação dietética.
TIPOS DE INTOLERÂNCIA À LACTOSE
Existem três formas de desenvolvimento da disfunção:
• Deficiência tipo adulto – é a forma mais comum e ocorre quando a produção da enzima lactase diminui de forma natural e progressiva. Geralmente, os sintomas surgem a partir da adolescência ou idade adulta.
• Deficiência secundária – ocorre quando a produção da enzima lactase é afetada por doenças intestinais como gastroenterite, doença de Crohn, doença celíaca e outras. Essa deficiência pode ser temporária e desaparecer ao longo do controle da doença que a causou.
• Deficiência congênita – é uma condição genética rara, em que a pessoa já nasce com deficiência total ou parcial na produção de lactase.
INTOLERÂNCIA OU ALERGIA?
A intolerância à lactose pode ser confundida com a alergia à proteína do leite de vaca (APLV), que é uma reação do sistema imunológico à beta-caseína. De acordo com Lucheska, embora os sintomas das duas condições sejam semelhantes, há diferenças importantes: a APLV, em geral, só acomete as crianças e pode regredir com o passar do tempo; a reação alérgica é mais rápida que os sintomas da intolerância à lactose, aparecendo quase imediatamente após o consumo de produtos lácteos; e a alergia pode apresentar sangue nas fezes como sintoma. Outra diferença é que somente no caso da intolerância à lactose a intensidade dos sintomas é variável, conforme o nível de deficiência de lactase.
DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DA INTOLERÂNCIA À LACTOSE
As formas de diagnóstico mais utilizadas são exame de sangue e o diagnóstico clínico, a partir do desaparecimento dos sintomas com a retirada dos produtos lácteos da dieta. Também podem ser feitos exames específicos, como o teste de hidrogênio e teste de acidez nas fezes.
Já o tratamento, segundo a nutricionista, se baseia na dieta, que pode ser uma redução na quantidade ingerida ou a restrição total dos alimentos com lactose, dependendo do quadro. A pessoa também pode optar pelo consumo de alimentos zero lactose, produzidos e disponibilizados em grande variedade no mercado.
Além da dieta, pode ser utilizado o medicamento cuja base é a enzima lactase, o que permite que a pessoa continue consumindo o leite e seus derivados. O tratamento por medicamentos é seguro e sem efeitos colaterais, mas é preciso ter cuidado com a automedicação, pois é fundamental que o paciente tenha o diagnóstico correto e orientação do médico ou nutricionista para utilizar o remédio adequadamente. Para Lucheska, “o ideal é tentar o controle da dieta no dia a dia, com a restrição de produtos lácteos ou consumo de produtos zero lactose e, ocasionalmente, fazer uso da medicação quando necessário.”
No caso de bebê com intolerância congênita, em fase de amamentação, a mãe precisa restringir os alimentos com lactose da sua própria dieta, para não transmitir o açúcar à criança através do leite materno.
PREVENÇÃO
A intolerância à lactose não pode ser prevenida, pois ainda não há estudos que indiquem uma causa específica para a deficiência na produção da enzima lactase. Apesar disso, muitas pessoas optam por retirar produtos lácteos da alimentação como forma de prevenção, o que não é recomendado pela nutricionista Lucheska. Segundo ela, o leite é uma importante fonte de cálcio, gorduras boas e outros nutrientes essenciais à saúde e só deve ser excluído da dieta em casos de intolerância à lactose ou alergia à proteína do leite.
Há, ainda, situações em que a pessoa fica longos períodos sem consumir a lactose e, como consequência, o corpo entende que não precisa mais produzir lactase. Quando o consumo é retomado, podem surgir sintomas de intolerância temporária, até que o organismo se adapte e volte a produzir a enzima normalmente.
O mais indicado é procurar um médico clínico geral, gastroenterologista ou nutricionista para identificar o problema, caso os sintomas apareçam de forma recorrente.
| DE OLHO NOS RÓTULOS Os rótulos dos produtos industrializados são grandes aliados no tratamento da intolerância à lactose. “As indústrias de alimentos passam por rigorosa fiscalização e toda rotulagem tem uma ficha técnica por trás, que garante a análise adequada do produto. Por isso, quando o rótulo indica que o produto não contém lactose, é possível confiar”, afirma Lucheska. Por outro lado, é preciso cautela com produtos artesanais, que podem ser produzidos com menos controle e apresentar risco de contaminação cruzada. Ainda que rara, a contaminação com leite pode acontecer, alerta a nutricionista. A orientação para quem tem intolerância à lactose é sempre verificar os rótulos e a procedência dos produtos. Se houver a informação “CONTÉM LACTOSE” ou “ALÉRGICOS: LEITE E DERIVADOS”, o consumo deve ser evitado. |
Esse conteúdo foi produzido por meio do convênio Saúde em Dia, uma parceria entre Copass Saúde e GNSS – Gerência de Saúde e Segurança do Trabalho da Copasa.