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O perigo por trás das hepatites

20/05/2026

A doença pode evoluir de forma silenciosa por muitos anos e causar danos graves ao fígado. Entenda os principais tipos e a importância do diagnóstico precoce, da vacinação e outras medidas preventivas.

A hepatite é uma inflamação do fígado causada, principalmente, por vírus ou por outros fatores como medicamentos, álcool, drogas, doenças autoimunes, metabólicas e genéticas. As formas virais são provocadas por cinco sorotipos, classificados de A a E. No Brasil, são mais comuns os sorotipos A, B e C.

De acordo com o último Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais do Ministério da Saúde, o Brasil registrou, em 2024, mais de 34 mil casos diagnosticados de hepatite viral, com cerca de 1,1 mil mortes diretas. Embora os casos de hepatite A tenham apresentado crescimento de 54,5% em relação ao ano anterior – devido a surtos e aumento da transmissão sexual -, as hepatites B e C continuam sendo as mais prevalentes no país.

Para a Dra. Melissa Lopez Carrasco, médica de Família e Comunidade das clínicas do programa Integração Saúde, em Belo Horizonte, as hepatites B e C são as mais preocupantes porque podem se tornar crônicas. Sem tratamento, aumentam muito o risco de cirrose e câncer de fígado. “O grande desafio é que, no início, essas doenças geralmente são assintomáticas. Muitas pessoas só descobrem a infecção ao fazer exames para outras doenças ou testes rápidos para ISTs. A evolução pode levar décadas e os sintomas, quando aparecem, podem ser vagos e inespecíficos ou indicar a doença em estágio avançado.”

As hepatites virais têm características distintas de acordo com o sorotipo:

HEPATITE A
Em geral, é uma infecção autolimitada, ou seja, gera um quadro agudo, que melhora em semanas, com tratamento para alívio dos sintomas. Tem cura espontânea, não se torna crônica e não deixa sequelas.
 
Contágio: transmitida por ingestão de alimentos ou água contaminados, condições precárias de saneamento básico e higiene pessoal e por contatos sexuais.
HEPATITE B
Frequentemente assintomática, é considerada como Infecção Sexualmente Transmissível (IST). Pode se tornar crônica (mais de 6 meses), aumentando o risco de cirrose hepática e câncer de fígado. A forma crônica, embora seja tratável com antivirais, não tem cura definitiva e precisa de acompanhamento médico.
 
Contágio: relação sexual desprotegida ou por contato sanguíneo, através de objetos perfurocortantes como alicates de unha, agulhas e seringas, além de objetos de higiene pessoal. Também é transmitida da mãe para o bebê durante a gestação e  parto.
HEPATITE C
Tipo mais comum e com maior letalidade, sem sintomas iniciais. Raramente se manifesta na forma aguda e é comum tornar-se crônica, com risco para cirrose e câncer de fígado até décadas após a contaminação. O tratamento com antivirais específicos pode interromper o processo de evolução da doença ou curá-la.
 
Contágio: principalmente por contato sanguíneo, através de objetos perfurocortantes como alicates de unha, agulhas e seringas, além de objetos de higiene pessoal. Também pode ser transmitida na relação sexual desprotegida (embora não seja classificada como IST) e da mãe para o bebê, predominantemente, no parto.
HEPATITE D
Também chamada de Delta, é uma forma grave que só ocorre em pessoas já infectadas com o vírus da hepatite B. A forma crônica tem progressão mais rápida para cirrose e risco aumentado para câncer do fígado. O tratamento com medicamentos específicos e antivirais para a hepatite B não visa a cura, mas o controle da doença.
 
Contágio: é transmitida do mesmo modo que a hepatite B, podendo ambas serem contraídas juntas. 
HEPATITE E
Na maioria dos casos, é uma infecção de curta duração e autolimitada, com tratamento para os sintomas. Pode ser grave em gestantes e,  mais raramente, causar infecções crônicas em pessoas com imunodeficiência.
 
Contágio: pelo consumo de alimentos crus ou mal higienizados e de água contaminada, pela ingestão de carne mal cozida ou produtos derivados de animais, em ambientes com condições precárias de higiene e saneamento básico, e da mãe para o bebê, na gestação. A transmissão por via sexual é mais rara, mas pode ocorrer.

SINTOMAS E DIAGNÓSTICO

Embora a maior parte dos sorotipos de hepatite seja inicialmente assintomática, todos  têm sintomas parecidos nos quadros agudos:

. fadiga;
. febre;
. mal-estar;
. tontura;
. enjoo e vômitos;
. falta de apetite;
. dor abdominal;
. icterícia (pele e olhos amarelados);
. urina escura e fezes claras.

Para o diagnóstico das hepatites virais, recomenda-se a realização de testagem conforme fatores de risco, presença de sintomas ou situações de exposição, não sendo indicada triagem anual de rotina na população geral. Também é possível fazer testes rápidos (disponíveis nos postos de saúde), quando há sintomas ou suspeita, além de exames sorológicos e moleculares laboratoriais, conforme indicação clínica. Segundo a Dra. Melissa, o diagnóstico precoce faz toda a diferença para evitar que a doença se torne crônica e prevenir complicações como a cirrose e o câncer de fígado.

VACINA E AÇÕES PREVENTIVAS

A vacina é uma das formas mais eficazes de prevenção das hepatites virais. Atualmente, existem imunizantes disponíveis contra os sorotipos A e B, que também protege contra o tipo D.

A vacina da hepatite A é disponibilizada pelo SUS para crianças a partir de 15 meses até completarem 5 anos e para grupos especiais.  A vacina da hepatite B é disponibilizada pelo SUS para bebês ou a qualquer tempo, para pessoas não vacinadas. A Copass Saúde também oferece cobertura adicional para as vacinas da hepatite, em condições não contempladas pelo SUS:

HEPATITE A
Cobertura a partir de 1 ano e 9 meses (dose de reforço). A primeira dose é ofertada pelo SUS.
HEPATITE A+B ADULTO (HABA)
Cobertura a partir de 19 anos (faixa etária não ofertada pelo SUS).

Para as hepatites C e E não existem vacinas. Por isso é fundamental adotar outras medidas preventivas como saneamento básico; higienização adequada das mãos, alimentos, utensílios e instalações sanitárias; não compartilhamento de objetos perfurocortantes e de higiene pessoal; uso de preservativos em todas as relações sexuais e bons hábitos de higiene íntima.

Esse conteúdo foi produzido por meio do convênio Saúde em Dia, uma parceria entre Copass Saúde e GNSS – Gerência de Saúde e Segurança do Trabalho da Copasa.

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