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Os riscos de interromper a medicação por conta própria

16/09/2026

Medicamentos são uma parte essencial dos tratamentos, principalmente das doenças crônicas e graves. Parar o uso sem orientação médica é abrir mão do melhor resultado e correr o risco de fortalecer a doença.

Você é daquelas pessoas que toma medicamentos corretamente, da forma prescrita pelo médico, mesmo quando sente efeitos colaterais? E quando já se sente bem, continua tomando os remédios, conforme a receita? Para muitos pacientes, a resposta é “NÃO”, o que pode trazer grandes prejuízos para a saúde.

MOTIVOS QUE LEVAM A PESSOA A INTERROMPER O TRATAMENTO

Interromper um tratamento por conta própria é mais comum do que parece. A Dra. Iara Abreu, reumatologista da CIC – Clínica de Infusão Compartilhada da Copass Saúde, cita os motivos mais frequentes:

  • Um dos principais fatores é o paciente não entender bem a importância do tratamento, seu tempo de duração e a necessidade de seguir corretamente as orientações médicas. Quando isso não está claro, fica mais fácil abandonar a medicação sem considerar as consequências dessa decisão.
  • Os efeitos colaterais também são um motivo importante do abandono. Muitas vezes, o paciente sofre com sintomas indesejáveis e acaba interrompendo o tratamento antes de conversar com o médico. Mas nem todo efeito indesejado significa que o tratamento precisa ser interrompido. O médico pode avaliar a situação, esclarecer o que é esperado e ajustar a estratégia para reduzir os sintomas.
  • A sensação de cura quando os sintomas desaparecem é outro motivo. Porém, sentir-se bem, geralmente, indica que a medicação está fazendo o efeito esperado. Por isso, mesmo quando tudo parece resolvido, continuar o tratamento é fundamental para evitar uma nova descompensação.
  • A busca de informações na bula, na internet ou nas redes sociais também pode gerar medo e desconfiança em relação ao medicamento. Embora seja importante estar informado, a decisão sobre a medicação e seus riscos deve ser tomada em conjunto com o médico, que pode considerar, com segurança, as necessidades e condições de cada paciente.

RISCOS DE PARAR DE TOMAR O REMÉDIO SEM ORIENTAÇÃO

O principal risco é comprometer o controle da doença, afirma a reumatologista. Sem a devida medicação, os sintomas ou a atividade da doença podem retornar e até agravar o quadro. Isso nem sempre acontece de imediato, mas traz consequências importantes. Suspender um medicamento sem orientação ou sem uma alternativa adequada pode favorecer a progressão da doença e aumentar o risco de complicações.

Além disso, após uma interrupção não programada, o reinício do uso do mesmo medicamento pode não produzir a mesma resposta de antes. Isso varia conforme a doença, o tipo de medicação e as características de cada pessoa, mas pode, em muitas situações, exigir outros tratamentos mais complexos.

E o problema não está apenas em abandonar a medicação. Esquecer doses, alterar horários ou usar o medicamento de forma irregular podem prejudicar sua eficácia. Cada remédio tem um tempo de ação no organismo, e a dose, os intervalos e a duração do tratamento são definidos com base em evidências científicas. Especialmente para as condições crônicas como hipertensão, diabetes, distúrbios da tireoide e autoimunes, a medicação, em geral, é de uso contínuo.  Assim, seguir corretamente a prescrição é fundamental para manter a doença sob controle.

ATENÇÃO REDOBRADA PARA IMUNOBIOLÓGICOS E ONCOLÓGICOS

Medicamentos imunobiológicos e oncológicos, em geral, são mais complexos e tratam doenças que têm grande potencial de sequelas e agravamento e, por isso, a interrupção do tratamento pode prejudicar muito o paciente.

Os imunobiológicos não são usados só para melhorar os sintomas, como a dor, mas para tratar, controlar e evitar consequências irreversíveis. Os medicamentos oncológicos apresentam um risco de abandono ainda maior, pois geralmente têm efeitos colaterais mais pesados e difíceis de suportar, além de outros fatores como o estresse emocional causado pela própria doença. Mas se o paciente para de tratar o câncer, a evolução pode ser rápida e trazer complicações que inviabilizam a continuidade do tratamento. A Dra. Iara ressalta que a volta dos sintomas, pela falta do medicamento, é um sinal de alerta, mas muitas complicações são silenciosas. O paciente está perdendo tempo quando interrompe a medicação e expondo-se a danos maiores.

Para a farmacêutica Katrina Silva, do Núcleo de Saúde (NDS), da Copass Saúde, a falta de planejamento, a ausência de apoio familiar e as dificuldades de agendamento também contribuem para a descontinuidade do tratamento — desafios muito comuns entre idosos e pacientes em acompanhamento contínuo. Em terapias complexas, essa falta de sincronia no calendário traz riscos sérios. A especialista alerta que, para quem usa imunobiológicos ou medicamentos oncológicos, o planejamento do estoque e das receitas precisa ser rigoroso: “Atrasar ou pular doses desses medicamentos pode fazer o organismo desenvolver resistência à medicação ou reativar a doença com agressividade. O ideal é agendar o retorno assim que abrir a última caixa do remédio ou na data da penúltima infusão. Caso ocorra qualquer imprevisto com datas, as equipes de enfermagem e farmácia da Clínica de Infusão, ou a Copass Saúde, devem ser acionadas para apoiar e garantir que o ciclo não seja quebrado”, afirma.

CONVERSA FRANCA E ABERTA

A consulta é uma troca: o médico precisa entender o que está acontecendo para poder ajudar, e o paciente precisa compreender a proposta de tratamento para aderir. Por isso, confiança e diálogo aberto são parte essencial do processo.

O paciente deve se sentir à vontade para contar o que está sentindo, falar sobre dificuldades, efeitos colaterais, dúvidas ou porque não está conseguindo seguir a prescrição, sem precisar esconder informações. Se algo não está dando certo, o melhor caminho é conversar com o médico e buscar uma solução em conjunto, e não interromper ou mudar a medicação por conta própria.

DICAS E ESTRATÉGIAS

A farmacêutica do NDS, Katrina Silva, traz orientações para evitar a interrupção da medicação e obter os melhores resultados com o tratamento:

  • Converse com o médico. Durante a consulta, esclareça todas as dúvidas sobre o tratamento, a forma correta de tomar os medicamentos e o que fazer diante de possíveis efeitos colaterais.
  • Procure orientação em caso de dificuldades. Se não estiver tolerando o medicamento ou surgir algum desconforto, marque uma consulta de retorno. Os beneficiários da Copass Saúde podem buscar a orientação da equipe de médicos, enfermeiros e farmacêuticos das clínicas do programa Integração Saúde, além do PA Virtual 24 horas.
  • Mantenha a regularidade. Medicamentos, principalmente orais de uso contínuo, devem ser tomados sempre no mesmo horário para que não ocorram efeitos colaterais pela proximidade ou espaçamento entre as doses. Se forem injetáveis, deve-se manter o intervalo preconizado pelo médico.
  • Fique atento à polifarmácia. Pacientes que utilizam vários medicamentos, especialmente os idosos, podem precisar de apoio para organizar os horários, compreender os tratamentos e evitar erros no uso. Em caso de dúvida, procure orientação profissional.
  • Mantenha consultas e exames em dia. Programe o agendamento dos retornos e exames de controle com antecedência. Isso é importante para avaliar a resposta do paciente e da doença à medicação e identificar alterações imperceptíveis ou a necessidade de ajuste da conduta.
  • Cuide da alimentação e pratique atividade física. Hábitos saudáveis podem contribuir para o controle da doença e melhorar a qualidade de vida. Uma boa alimentação antes, durante ou após o uso do medicamento pode atenuar efeitos colaterais, assim como o tipo certo de exercício físico.
  • Nunca altere o tratamento por conta própria. Não troque, interrompa ou tome medicamentos com base em indicações de outras pessoas ou informações da internet. Converse abertamente com médico, enfermeiro ou farmacêutico sobre curiosidades,  incômodo ou dificuldade de uso.

Esse conteúdo foi produzido por meio do convênio Saúde em Dia, uma parceria entre Copass Saúde e GNSS – Gerência de Saúde e Segurança do Trabalho da Copasa

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