Alerta permanente contra as IST’s
Manter uma vida sexual saudável implica em cuidado com o próprio corpo e com a parceira, preservando-se contra as Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).
Apesar de preveníveis, as ISTs fazem parte da realidade de milhões de pessoas em todo o mundo e podem acometer qualquer indivíduo sexualmente ativo. Elas são causadas por vírus, bactérias e outros microrganismos transmitidos principalmente pelo contato sexual desprotegido (vaginal, anal ou oral). Há também a possibilidade de transmissão da mãe para o bebê ou, em algumas situações, pelo contato com sangue ou secreção corporal contaminados.
Muitas ISTs, em seu estágio inicial, são silenciosas, o que pode atrasar o diagnóstico e o tratamento e gerar complicações. A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) alerta que, se não tratadas, essas infecções podem causar lesões nos órgãos genitais, infertilidade, doenças neurológicas e cardiovasculares e até câncer.
Segundo a Dra. Andreza Rodrigues Costa, médica generalista da Clínica de Atenção Primária à Saúde (APS) da Copass Saúde, em Diamantina, a prevenção, a testagem e o tratamento das ISTs são acessíveis e eficientes, mas ainda há muitas dúvidas, mitos e desinformação. Por isso, é essencial ampliar as ações educativas para orientar e conscientizar a população.
PRINCIPAIS ISTs
São muitas as ISTs, mas entre aquelas com maior incidência se destacam HIV, sífilis, HPV, gonorreia e clamídia, além de outras menos prevalentes como o herpes genital e as hepatites B e C.
HIV -O vírus ataca o sistema imunológico e, sem tratamento, pode evoluir para a AIDS. Graças aos avanços da medicina, o tratamento antirretroviral feito corretamente permite que pessoas vivendo com HIV tenham qualidade de vida e atinjam carga viral indetectável, o que impede a transmissão sexual. Em geral, não há sintomas na fase inicial. O diagnóstico é feito por testes disponíveis na rede pública, como os testes rápidos, e o tratamento é contínuo.
Sífilis – É a IST de maior prevalência no Brasil. É causada por bactéria e evolui em fases. De início, costuma aparecer uma ferida indolor, sem coceira ou secreção, que desaparece mesmo sem tratamento. Depois de meses ou anos podem surgir manchas pelo corpo, que também desaparecem. E na fase avançada, quando não tratada, a sífilis pode causar sintomas cardíacos e neurológicos graves.
HPV – Existem diversos tipos do papilomavírus humano, alguns responsáveis por verrugas ou lesões na região genital e outros associados a cânceres do colo do útero e genitais. Muitas pessoas não apresentam sintomas. Pode ser prevenido através da vacinação de homens e mulheres e a detecção precoce, nas mulheres, ocorre através da realização de exames periódicos, como o Papanicolau.
Gonorreia e clamídia – Ambas são causadas por bactérias e têm características semelhantes, sendo comuns sinais como corrimento amarelo, mal cheiro, dor na relação sexual. Os sintomas são mais evidentes e incomodam, levando a pessoa a procurar atendimento. Quando não tratadas, podem causar complicações como doença inflamatória pélvica e infertilidade.
Hepatites virais – As hepatites B e C causam inflamação no fígado e, quando evoluem sem diagnóstico, podem resultar em cirrose ou câncer hepático. Os sintomas mais comuns são pele amarelada, dor abdominal, cansaço. Para a hepatite B existe vacina e a hepatite C conta com tratamento capaz de alcançar a cura na maioria dos casos.
Herpes genital –É causado por vírus e caracteriza-se por feridas dolorosas e recorrentes na região genital. A infecção permanece no organismo e se manifesta em períodos de estresse ou baixa imunidade. Embora não haja cura, medicamentos antivirais ajudam a controlar as crises, reduzir sintomas e diminuir o risco de transmissão.
PREVENÇÃO
A principal forma de prevenção das ISTs é o uso de preservativos masculinos e femininos. O Brasil é um dos países que mais distribui preservativos gratuitamente para a população. A testagem regular também é uma ação fundamental para o controle da contaminação e os testes são disponibilizados pelo SUS. No entanto, a médica ressalta que é preciso conscientizar a população para aumentar o uso dos preservativos e a testagem regular. “A pessoa tem que entender que pode adquirir doenças que vão exigir cuidado para o resto da vida e colocar em risco outras pessoas, que podem ser contaminadas.”
Os testes rápidos disponíveis são para identificar sífilis, HIV e hepatites. Tem ainda o autoteste para HIV. A Dra. Andreza explica que o ideal seria que toda a população sexualmente ativa fizesse a testagem para ISTs, pelo menos, uma vez ao ano. Muitas pessoas acham que, por terem parceiros fixos, não precisam testar e acabam contaminadas sem saber. Já aqueles ativos sexualmente, mas sem parceiros fixos, deveriam fazer os testes de seis em seis meses, e a cada três meses, os grupos de maior risco.
Existem as vacinas para hepatite B, disponíveis para todas as idades, e para o HPV, oferecidas pelo SUS apenas para a faixa de 9 a 14 anos e na rede privada para os demais. Para o HIV, tem a profilaxia pré-exposição (PrEP) e a profilaxia pós-exposição (PEP), disponibilizadas pelo SUS para toda a população adulta. O ideal é que esse tipo de prevenção seja utilizado por grupos de maior risco ou em situações inesperadas, em que a pessoa foi colocada em risco de contaminação.
Evitar novas infecções e fazer o tratamento corretamente caminham juntos. Gonorreia, clamídia e sífilis têm cura com o uso de antibióticos. Porém, se a pessoa é infectada várias vezes, o organismo pode adquirir resistência ao antibiótico, o que dificulta o tratamento. Para as infecções que não têm cura, como o HIV, HPV e outras, o tratamento e acompanhamento contínuos mantêm os vírus e a transmissão sob controle.
AUMENTO DA INCIDÊNCIA ENTRE JOVENS E IDOSOS
Pesquisas apontam que há um crescimento dos casos de ISTs entre jovens, de 15 a 29 anos, e na população idosa, realçando a necessidade de maior conscientização nessas faixas etárias.
Para a Dra. Andreza, atualmente, as pessoas mais jovens parecem dar maior importância à prevenção da gravidez e do HIV. Como há muitas opções de métodos contraceptivos, além de estratégias profiláticas para o HIV (PrEP e PEP), os jovens acabam deixando em segundo plano o uso de preservativos, que previnem contra as outras ISTs. A redução do uso das camisinhas também pode ser reflexo de um menor destaque dado às campanhas educativas, comparado com outras épocas.
Entre os idosos, o cenário é diferente, mas igualmente alarmante. Por muito tempo, falar sobre sexualidade nessa faixa etária foi um tabu, o que resultou em pouca orientação sobre o risco de infecções e menor uso de preservativos, já que também não há preocupação com gravidez. Com o aumento da expectativa de vida da população, muitos mantêm uma vida sexual ativa por mais tempo, mas ainda testam pouco para ISTs, muitas vezes, por desconhecimento.
Esse conteúdo foi produzido por meio do convênio Saúde em Dia, uma parceria entre Copass Saúde e GNSS – Gerência de Saúde e Segurança do Trabalho da Copasa.