Controle de peso é coisa séria
A obesidade é uma doença crônica, com consequências graves, cujo controle exige mais do que força de vontade: entender as causas e tratar de forma adequada, contínua e multidisciplinar.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a obesidade como o acúmulo anormal ou excessivo de gordura no corpo, que prejudica o organismo. A doença causa inflamação crônica e sobrecarga física, elevando o risco de mortalidade e complicações como doenças cardiovasculares (pressão alta, infarto, AVC), diabetes, distúrbios do sono, problemas respiratórios e articulares, alguns tipos de câncer, além de afetar a saúde mental.
São diversos os fatores que influenciam o desenvolvimento da obesidade: condições biológicas, como a herança genética, têm peso importante, assim como questões comportamentais (hábitos de vida), psicológicas e socioeconômicas. Para Rodrigo Amaral, nutricionista das clínicas de APS da Copass Saúde, em Belo Horizonte, a obesidade deve ser compreendida e tratada como uma doença que envolve saúde física, emocional, social e ambiental. “A grande maioria dos pacientes com sobrepeso e obesidade alcançam bons resultados no tratamento quando entendem que não é só a dieta, mas um conjunto de fatores que precisam de atenção”, afirma.
| Uma pessoa é considerada obesa quando o cálculo do seu Índice de Massa Corporal (IMC) é igual ou superior a 30. O IMC é medido através da divisão do peso (kg) pela altura (m) da pessoa ao quadrado. |
FATORES DE RISCO
. Sedentarismo, pois a falta de atividade física regular prejudica o metabolismo, a regulação da fome e aumenta o armazenamento de gordura corporal.
. Alimentação desequilibrada e consumo de alimentos ultraprocessados, que são mais baratos e práticos, porém, ricos em calorias e pobres em nutrientes.
. Excesso de tempo em frente às telas, que reduz o tempo para outras atividades que poderiam gastar energia.
. Sono inadequado ou poucas horas de sono por noite, o que libera cortisol no organismo, causando estresse.
. Alterações emocionais como estresse, ansiedade e depressão, que levam muitas pessoas a buscarem a comida como forma de alívio, em um ciclo vicioso:

SINAIS DE ALERTA
O nutricionista Rodrigo Amaral chama a atenção para alguns indícios de que é preciso intervir para controlar o peso corporal:
- Ganho de peso progressivo ao longo de semanas ou meses;
- Aumento da circunferência abdominal;
- Cansaço excessivo para atividades simples;
- Alterações na pressão arterial e exames de sangue como glicemia, colesterol, triglicerídeos, hemoglobina glicada;
- Ronco, pois quem ganha peso rápido pode iniciar ou intensificar o ronco.
- Dores articulares em pontos afetados pelo peso do corpo, como tornozelos e joelhos.
CONTROLE INDIVIDUALIZADO E EFETIVO É NA APS
Nas clínicas de APS, o acompanhamento busca entender as causas do ganho de peso e oferecer um cuidado completo e individualizado. A equipe multiprofissional garante o suporte integrado de terapias como nutrição, psicologia e outras, conforme a necessidade. A obesidade tem taxas de incidência elevadas nos atendimentos. Em 2025, cerca de 31% dos beneficiários da Copass, pacientes do serviço de nutrição das clínicas de BH, foram diagnosticados com a doença.
Segundo Rodrigo, para o acompanhamento nutricional são analisados fatores como rotina, alimentação, atividade física, sono, hidratação, funcionamento intestinal, dores, nível de energia e outros. Com isso, o plano alimentar é alinhado às condições de cada paciente, possibilitando maior adesão ao tratamento.
A DIETA IDEAL
O nutricionista explica que, no tratamento da obesidade, o foco é um déficit calórico moderado, sem restrições extremas, para tornar o processo mais leve e sustentável. Assim, quanto mais simples e aceitável for a dieta, adaptada às preferências e à rotina do paciente, maiores as chances de manter o plano a longo prazo. Além disso, o emagrecimento saudável deve acontecer aos poucos. Perder peso de forma gradual e constante é mais eficaz do que mudanças radicais, difíceis de manter por muito tempo.
A ideia de “fechar a boca” para emagrecer pode trazer mais prejuízos do que resultados. Dietas muito restritivas aumentam o estresse em relação à comida, favorecem episódios de compulsão e podem causar cansaço, piora do sono, falta de energia e deficiência de vitaminas e minerais.
10 PASSOS PARA PREVENÇÃO DA OBESIDADE
- Manter a alimentação equilibrada, variando os alimentos, e evitar dietas muito restritivas;
- Priorizar alimentos in natura, como frutas, legumes e verduras, ou minimamente processados e evitar os ultraprocessados;
- Ter uma rotina alimentar organizada, com horários certos para comer e evitar “beliscar” várias vezes ao dia;
- Praticar atividade física regularmente (no mínimo, 150 minutos por semana, conciliando musculação com uma atividade aeróbica);
- Reduzir o tempo em frente às telas;
- Dormir bem, com tempo adequado de descanso;
- Controlar o estresse e a ansiedade;
- Beber água (35 a 40 ml x o peso da pessoa por dia);
- Se sair fora da dieta, não abandonar e retomar o quanto antes;
- Fazer o acompanhamento adequado na APS.
Esse conteúdo foi produzido por meio do convênio Saúde em Dia, uma parceria entre Copass Saúde e GNSS – Gerência de Saúde e Segurança do Trabalho da Copasa.