Não descuide da pressão alta
A hipertensão arterial é uma doença crônica que pode ter sérias consequências quando não tratada, apesar de, muitas vezes, ser ignorada ou ter o cuidado negligenciado. Saiba como manter a sua pressão sob controle.
A pressão arterial é a força que o sangue exerce nas paredes das artérias enquanto é bombeado pelo coração para todo o corpo. Quando descontrolada, pode causar danos silenciosos, aumentando o risco de problemas graves, como infarto, AVC, insuficiência cardíaca, insuficiência renal e até perda visual. A doença atinge quase um terço da população brasileira (Vigitel 2025). É uma condição que não tem cura, mas pode ser controlada com tratamento adequado.
O problema é que muitas pessoas ainda não entendem a importância do diagnóstico e controle da doença. Segundo a Dra. Priscila Franco, médica de Família e Comunidade da clínica de APS da Copass, em Uberlândia, é comum que pacientes crônicos cheguem ao consultório desconsiderando a hipertensão como um problema de saúde, mesmo as que já fazem uso de medicação. Mas o tratamento exige disciplina, acompanhamento médico e mudanças de hábitos para evitar complicações futuras.
FATORES DE RISCO
Alguns fatores aumentam o risco para hipertensão arterial, como predisposição genética, que tem um peso importante, além de alterações hormonais e metabólicas, envelhecimento e, principalmente, hábitos de vida inadequados.
A idade contribui para a elevação da pressão, mas a doença tem sido cada vez mais comum entre os jovens, geralmente associada à obesidade, sedentarismo, má alimentação e tabagismo, agravado pelo uso de cigarros eletrônicos.
COMO IDENTIFICAR A HIPERTENSÃO CRÔNICA
A Dra. Priscila explica que a hipertensão é diagnosticada quando a pressão arterial se mantém igual ou acima de 140/90 mmHg (HA Estágio 1), após medidas adequadas e confirmação com medições fora do consultório, sempre que possível.
Valores entre 120–139 mmHg de pressão sistólica (máxima) e/ou 80–89 mmHg de pressão diastólica (mínima) são classificados como pré-hipertensão. Esta faixa é um alerta importante, indicando que são necessárias mudanças no estilo de vida e acompanhamento médico regular.
A hipertensão é dividida em estágios conforme a gravidade da elevação:
- HA Estágio 1: 140–159 mmHg (sistólica) e/ou 90–99 mmHg (diastólica).
- HA Estágio 2: 160–179 mmHg (sistólica) e/ou 100–109 mmHg (diastólica).
- HA Estágio 3: Pressão sistólica ≥ 180 mmHg e/ou diastólica ≥110 mmHg.
Valores muito elevados, especialmente acima de 180/110 mmHg, ou associados a sintomas como dor no peito, falta de ar, confusão mental, déficit neurológico ou alteração visual, caracterizam uma crise hipertensiva e exigem avaliação médica imediata.
SINTOMAS
A hipertensão arterial costuma ser silenciosa. Muitas vezes, quando os sintomas aparecem, o organismo já pode ter sofrido algum dano. Entre os sinais clássicos da pressão alta descontrolada estão dor de cabeça intensa, pressão ou dor na nuca. Também são comuns tontura, zumbido e taquicardia. Já a pressão baixa costuma provocar fraqueza, tontura, sensação de desmaio e prostração.
TRATAMENTO INDIVIDUALIZADO E MUDANÇA DE HÁBITOS
Em casos iniciais, especialmente quando o risco cardiovascular é baixo, as mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e perda de peso, podem ser a primeira estratégia. Em outros casos, como hipertensão persistente, estágios mais avançados ou presença de comorbidades, o tratamento medicamentoso deve ser iniciado junto às medidas não farmacológicas, afirma a médica.
A associação de hábitos saudáveis ao uso de medicamentos é fundamental para evitar complicações e a necessidade de novas drogas e dosagens mais fortes. Com disciplina e cuidados contínuos, muitos pacientes conseguem estabilizar a pressão e até reduzir a medicação.
O PERIGO DA AUTOMEDICAÇÃO
A Dra. Priscila alerta para os riscos da automedicação, que é totalmente contraindicada. “O que é bom para uma pessoa pode ser tóxico para outra. Existem diversas classes de medicamentos cuja indicação varia conforme as características e condições de saúde de cada um. A resposta aos anti-hipertensivos pode variar conforme idade, presença de diabetes, doença renal, doença cardiovascular, raça/cor, risco cardiovascular e outros fatores clínicos. Por isso, a escolha da medicação deve ser individualizada e orientada pelo médico.
BENEFÍCIOS DO ACOMPANHAMENTO PELA APS
Nas clínicas de Atenção Primária à Saúde (APS), a prevenção da hipertensão inclui triagem, exames básicos para diagnóstico e acompanhamento das funções do coração e dos rins. A frequência dos exames e do acompanhamento varia conforme o estágio da doença e o controle da pressão: pacientes com pressão descompensada precisam de acompanhamento mais próximo, com reavaliações em intervalos menores até o controle adequado. Já pacientes estáveis, controlados e sem comorbidades importantes podem ter acompanhamento periódico, conforme avaliação médica individual.
Segundo a médica, pacientes que seguem as orientações e mantêm acompanhamento regular costumam apresentar ótimo controle da hipertensão. A atuação da equipe multidisciplinar, com médicos, nutricionistas e psicólogos, oferece um suporte integrado e efetivo, aumentando a adesão e reduzindo as chances de abandono do tratamento.
10 CUIDADOS ESSENCIAIS PARA CONTROLE DA HIPERTENSÃO
| 1. Controle de peso A perda de peso reduz a sobrecarga sobre o coração e os vasos sanguíneos, melhorando a circulação e o equilíbrio metabólico. | 6. Não fumar Entre outros inúmeros malefícios, fumar estreita o calibre das artérias, o que dificulta ainda mais a circulação do sangue. |
| 2. Atividade física regular O exercício, principalmente aeróbico, fortalece o coração, melhora a circulação sanguínea e contribui para a perda de peso. São necessários, no mínimo, 150 minutos semanais. | 7. Sono adequado Durante o sono, tanto a frequência cardíaca quanto a pressão arterial são reduzidas. Já a privação de sono eleva o cortisol e a adrenalina, que aumentam a pressão. |
| 3. Alimentação equilibrada A dieta deve ser rica em frutas, verduras, legumes, grãos integrais e proteínas magras, além de evitar alimentos ultraprocessados e embutidos, que contêm mais sódio e gorduras. | 8. Controle do estresse Situações frequentes de estresse podem elevar a pressão arterial. Técnicas de relaxamento, lazer, atividade física e apoio psicológico ajudam no equilíbrio emocional e na saúde cardiovascular. |
| 4. Redução do sal O excesso de sal e temperos industrializados na comida favorece a retenção de líquidos e aumenta a pressão arterial. O ideal é utilizar mais temperos naturais, livres de sódio. | 9. Uso correto da medicação A medicação, quando indicada, deve ser utilizada somente conforme a prescrição médica, sem interrupções ou alteração na dosagem. |
| 5. Evitar álcool O consumo excessivo ou frequente de álcool eleva a pressão arterial, sobrecarrega o coração e pode anular os benefícios do tratamento. | 10. Acompanhamento É importante manter o acompanhamento médico regular e fazer os exames preventivos para ajustar o tratamento às condições de saúde. |