Dengue: alerta para a variação de sintomas e gravidade da doença
A doença pode começar como uma virose comum e branda, mas pode evoluir rapidamente para quadros graves. Por isso, reconhecer os sintomas e fazer o tratamento adequadamente são essenciais para evitar complicações.
É tempo de reforçar os cuidados contra a dengue. Altas temperatura e chuvas intensas favorecem a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença, que pode variar de casos leves ou assintomáticos a quadros graves.
A dengue é uma infecção viral causada por quatro sorotipos (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4) e é comum que mais de um tipo circule ao mesmo tempo em uma região. Em 2025, os sorotipos 2 e 3 foram os mais frequentes em Minas Gerais, com predominância do tipo 2. Mas as cepas circulantes podem variar muito de acordo com a época, o que aumenta o risco de casos graves devido à possibilidade de reinfecção.
Segundo a Dra. Kathleen Emerick, médica de Família e Comunidade da clínica de APS da Copass Saúde, no bairro Santa Efigênia, em Belo Horizonte, muitas pessoas acreditam, de forma equivocada, que só é possível ter dengue uma vez e relaxam com a prevenção. Contudo, a infecção pela dengue confere imunidade duradoura ao sorotipo que causou a doença. Além disso, ocorre uma proteção temporária contra os outros sorotipos, que costuma durar cerca de 3 a 6 meses. Após esse período, novas infecções por sorotipos diferentes podem acontecer e estão associadas a maior risco de formas graves da doença.
RISCOS DA REINFECÇÃO
Hoje, é cada vez mais raro encontrar pessoas que nunca tiveram dengue. A circulação de diferentes sorotipos, que variam conforme o período, aumenta as chances de reinfecção e, consequentemente, o risco de casos mais graves.
A Dra. Kathleen explica que, na reinfecção, o organismo já está sensibilizado pela doença, o que favorece quadros mais intensos. Os sintomas iniciais costumam durar até sete dias, sendo o período a partir do quinto dia o mais crítico e que merece mais atenção. Isso porque os sinais de gravidade, geralmente, surgem após a redução da febre, justamente quando as pessoas tendem a diminuir os cuidados, especialmente com a hidratação. A orientação do paciente quanto aos sinais de alerta e quanto ao tempo de tratamento necessário é fundamental.
SINTOMAS INICIAIS
Os sintomas clássicos da dengue incluem febre alta, geralmente de início súbito, associada a outros como dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dores no corpo e nas articulações, cansaço, náuseas, vômitos e manchas avermelhadas na pele.
A médica alerta que a manifestação da doença varia de pessoa para pessoa. Algumas podem apresentar sintomas isolados ou diferentes, o que pode dificultar o diagnóstico, especialmente em períodos com alta circulação de outras infecções, como gastroenterites. “Há, inclusive, casos de dengue sem febre alta. Por isso, diante de sintomas suspeitos, é importante procurar atendimento para um diagnóstico seguro.”
Em alguns grupos, os sinais podem ser mais intensos ou evoluir com maior gravidade. Crianças, idosos, pessoas com comorbidades como hipertensão, diabetes e doenças cardíacas, ou com histórico prévio de dengue, fazem parte do grupo de risco. Nessas pessoas, a resposta do organismo à infecção pode ser menos eficiente ou mais desregulada, favorecendo desidratação e complicações.
SINAIS DE ALERTA NA FASE CRÍTICA
Os casos mais graves da dengue são identificados pelos chamados sinais de alarme, que indicam a necessidade de procurar atendimento de urgência. Esses sinais costumam surgir entre o terceiro e o sétimo dia da doença, mesmo que a pessoa esteja sem febre, e incluem: dor abdominal intensa e contínua, que não melhora com medicação; vômitos persistentes; tontura ou desmaios; sangramentos pelo nariz, gengiva ou fezes; diminuição do volume de urina; fadiga, letargia ou irritabilidade, entre outros.
DIAGNÓSTICO
O diagnóstico da dengue é clínico e depende de uma boa avaliação médica. Para confirmação, podem ser solicitados exames diferentes, conforme a fase da doença: há indicadores que detectam o vírus nos primeiros cinco dias de sintomas e outros, após cinco dias, que identificam anticorpos no organismo. O hemograma também é importante, pois pode mostrar alterações, como a redução das plaquetas, que indicam maior risco de complicações, embora o agravamento do quadro seja definido, principalmente, pelos sinais de alerta.
O tratamento exige acompanhamento médico e não deve ser feito sem orientação. De acordo com a Dra. Kathleen, após o diagnóstico, o paciente é classificado de A a D, conforme os sintomas, presença de sinais de alarme ou comorbidades. Essa classificação, feita pelo médico, define o tipo de acompanhamento e a necessidade de internação, podendo mudar conforme a evolução do quadro.
TRATAMENTO
A principal medida no tratamento da dengue é a hidratação, que deve ser iniciada o quanto antes. Não se trata apenas de beber água, sendo essencial o uso de sais de reidratação oral. A quantidade diária de líquidos é calculada de acordo com o peso do paciente, sendo um terço do total composto por soro de reidratação. A médica ressalta que o consumo diário de líquidos necessário para o tratamento da dengue é bem maior que o habitual, o que dificulta o tratamento. Mas vale a pena, pois uma boa hidratação reduz a intensidade dos sintomas, como cansaço e dores, e evita o agravamento da doença.
Além da hidratação, medicamentos anti-inflamatórios e o ácido acetilsalicílico (AAS) devem ser evitados, pois aumentam o risco de sangramentos. Para aliviar os sintomas, podem ser usados analgésicos e antitérmicos como paracetamol e dipirona.
Esse conteúdo foi produzido por meio do convênio Saúde em Dia, uma parceria entre Copass Saúde e GNSS – Gerência de Saúde e Segurança do Trabalho da Copasa.