Paliativo e curativo: cuidados que caminham juntos
É mito a ideia de que o cuidado paliativo é o último recurso, utilizado apenas quando não há mais nada a fazer. Ao se aliar ao tratamento modificador de diversas doenças, de forma precoce, ele potencializa a assistência, garantindo mais qualidade de vida e apoio ao paciente e sua família.
Os cuidados curativos têm como objetivo tratar a doença por meio de intervenções terapêuticas que atuam diretamente sobre sua evolução e solução. No entanto, nem todas as doenças podem ser curadas. Em muitos casos, o foco do tratamento passa a ser o controle da doença, o retardamento de sua progressão, a prevenção de complicações e o prolongamento da vida. É nesse contexto que entram os cuidados paliativos, cujo foco é promover qualidade de vida, dignidade e bem-estar ao paciente e à sua família diante de uma doença grave.
O papel dos cuidados paliativos
Os cuidados paliativos buscam oferecer assistência integral e humanizada a pessoas com doenças graves ou ameaçadoras à vida, independentemente de haver ou não possibilidade de cura. Essa abordagem visa prevenir e aliviar o sofrimento por meio da identificação precoce das necessidades do paciente, da avaliação adequada e do tratamento da dor e de outros sintomas físicos, além de questões psicossociais e até espirituais.
Para o tratamento do câncer e outras doenças
Embora muitas pessoas associem os cuidados paliativos apenas às doenças oncológicas, eles também podem beneficiar pacientes com diversas outras condições, especialmente quando apresentam limitações terapêuticas ou exigem o controle contínuo dos sintomas, como:
- Insuficiência cardíaca avançada;
- Acidente Vascular Cerebral (AVC);
- Doenças respiratórias crônicas graves;
- Doenças neurológicas progressivas, como as demências;
- Cirrose hepática, insuficiência renal, entre outras condições crônicas.
Quanto mais cedo, melhor
Segundo a enfermeira e analista do Programa de Atenção Domiciliar (PAD), da Copass Saúde, Giselle Freitas, é importante descontruir a ideia de que os cuidados paliativos só devem ser iniciados quando o paciente está em fase terminal ou quando não há mais opções de tratamento.Na realidade, eles podem ser oferecidos desde o diagnóstico de uma doença grave, de acordo com as necessidades do paciente e de seus familiares, e não visam substituir os tratamentos curativos.
Sempre que indicada, a associação precoce dos cuidados paliativos ao tratamento da doença permite abordar sintomas, necessidades emocionais e outros fatores que afetam o bem-estar do paciente, favorecendo uma assistência mais completa. “Buscar cuidados paliativos não significa desistir do tratamento. Pelo contrário, é ampliar o cuidado para além da doença, em cada etapa da jornada, considerando a pessoa em sua totalidade”, afirma Giselle.

Como é estruturado o cuidado paliativo
O cuidado paliativo é desenvolvido a partir do respeito às experiências e escolhas de cada pessoa, de acordo com suas condições de saúde, crenças e valores. Para isso, é elaborado um plano de cuidados individualizado, que envolve compartilhar informações, ouvir e orientar pacientes, familiares e cuidadores para as dificuldades enfrentadas no dia a dia. Sendo necessário, o acompanhamento pode incluir até o apoio à família no processo de luto.
O atendimento é feito por uma equipe multidisciplinar formada por profissionais como médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas, psicólogos, farmacêuticos e assistentes sociais. Quando identificada a importância, pessoas ligadas à religiosidade do paciente também podem participar do processo, ampliando o acolhimento.
Acesso aos cuidados paliativos pela Copass Saúde
Os cuidados paliativos são oferecidos aos beneficiários por meio do Programa de Atenção Domiciliar (PAD). É preciso ter indicação médica, com relatório detalhado sobre o quadro clínico do paciente. A solicitação pode ser feita pela família, pelo médico assistente, pelo hospital ou pela própria equipe da Copass.
- Pacientes ambulatoriais: em geral, a família encaminha o pedido médico à Copass Saúde, que realiza uma avaliação técnica do caso para aprovação.
- Pacientes internados: a equipe de gerenciamento de internação da Copass identifica a necessidade, solicita o relatório médico e encaminha o caso para a equipe técnica.
Como funciona o atendimento
Para receber os cuidados, o beneficiário deve pertencer aos planos completos Ativos, Assistidos ou Essencial, ter um cuidador e aderir ao PAD, mediante assinatura de um termo. É elaborado um plano individualizado, que pode ser ajustado conforme a evolução da doença e as necessidades do paciente. O atendimento é realizado por prestadores de serviços especializados em cuidados paliativos e monitorados pela equipe do PAD.
O que o PAD oferece em cuidados paliativos
- Atendimento de equipe multidisciplinar, conforme o plano de cuidados;
- Equipamentos e recursos necessários, como oxigênio, cama hospitalar, cadeira de rodas, cadeira de banho etc.;
- Apoio e orientações aos cuidadores.
Importante: o atendimento não tem custo adicional nem coparticipação para o beneficiário. É necessário que o paciente tenha um cuidador, familiar ou profissional contratado pela família.
Esse conteúdo foi produzido por meio do convênio Saúde em Dia, uma parceria entre Copass Saúde e GNSS – Gerência de Saúde e Segurança do Trabalho da Copasa