Reposição hormonal: segurança e bem-estar em equilíbrio
Entenda como a avaliação individual dos riscos e benefícios contribui para uma decisão mais consciente sobre a terapia hormonal na menopausa.
As mulheres estão olhando mais para si mesmas, o que amplia a visão sobre os impactos da menopausa, momento da vida que não precisa ser sinônimo de sofrimento e angústia, mas de cuidado. Nesse cenário, a terapia de reposição hormonal pode ser uma opção de tratamento eficaz para aliviar os sintomas e garantir o bem-estar feminino, desde que bem indicada, de forma individual e com acompanhamento.
MENOPAUSA E CLIMATÉRIO
Processo natural do relógio biológico feminino, a menopausa é, ainda hoje, cercada de dúvidas. É a transição da fase reprodutiva para a não reprodutiva, iniciada, em geral, a partir dos 45 anos. Embora seja frequentemente tratado como uma fase, o termo menopausa, em si, é a última menstruação espontânea, confirmada após 12 meses consecutivos sem menstruar. Já todo o período de transição, que engloba a perimenopausa e a pós-menopausa, é o climatério. Essa fase é marcada pela queda na produção de estrogênio e progesterona, hormônios fundamentais para o equilíbrio do organismo da mulher.
BENEFÍCIOS DA TERAPIA HORMONAL
- Alívio dos sintomas: reduz ondas de calor, suor noturno, secura vaginal e desconfortos urinários.
- Melhora da qualidade de vida: pode favorecer o sono, a libido, a memória e o bem-estar físico e mental.
- Proteção óssea: ajuda a prevenir a perda de massa óssea e reduz o risco de osteoporose e fraturas.
- Saúde do trato urinário: previne alterações na musculatura do assoalho pélvico, ajudando a reduzir infecções urinárias recorrentes, comuns nessa fase.
MUDANÇA DO CONCEITO SOBRE A TERAPIA HORMONAL
A reposição hormonal para tratamento dos sintomas da menopausa começou a ser utilizada desde a década de 1960. Mas um grande receio em relação à terapia ganhou força em 2002, com o estudo americano Women’s Health Initiative (WHI), que identificou aumento do risco de câncer de mama, infarto, AVC e trombose entre as usuárias. A repercussão levou milhões de mulheres a interromper o tratamento, tornando-o alvo de dúvidas e medo. Contudo, nos anos seguintes, novas pesquisas mostraram que os riscos variam conforme fatores como idade, momento de início, dose e via de administração. Com isso, médicos e sociedades científicas passaram a defender uma abordagem individualizada, baseada nas necessidades e perfil de risco de cada mulher.
A principal mudança foi compreender que a terapia hormonal não é indicada ou contraindicada para todas, igualmente. Mas quando bem avaliada, pode trazer benefícios importantes para a mulher nessa fase.
EFEITOS COLATERAIS E RISCOS
No início do tratamento hormonal, podem ocorrer sensibilidade mamária, náuseas, retenção de líquidos, dor de cabeça e sangramentos irregulares. Em geral, esses efeitos são leves e costumam melhorar com ajustes de doses ou formulações .
Os riscos variam conforme o tipo de hormônio, a dose, a via de administração, o tempo de uso e o histórico de saúde da mulher. A terapia é contraindicada para aquelas que têm risco aumentado ou já tiveram cânceres que são hormônio dependentes, como o de mama e de endométrio. Para as mulheres que apresentam condições como hipertensão arterial, obesidade, hipertrigliceridemia, riscos tromboembólicos, metabólicos ou cardiovasculares, não há contraindicação absoluta, mas é necessário escolher cuidadosamente a via de tratamento, além de avaliar os benefícios esperados, os riscos e as necessidades de cada mulher.
JANELA DE OPORTUNIDADE
As pesquisas e estudos comprovaram que há um tempo ideal para iniciar a terapia hormonal. As evidências apontam para a chamada “janela de oportunidade”: o tratamento tende a apresentar uma relação mais favorável entre benefícios e riscos quando iniciado antes dos 60 anos, até 10 anos após a última menstruação, ou ainda na perimenopausa, quando surgem os primeiros sintomas.
Nesse período, a terapia hormonal costuma oferecer maior segurança cardiovascular, melhor controle dos sintomas e mais benefícios para a preservação da massa óssea. Fora dessa janela, os riscos podem ser superiores em relação aos benefícios, tornando a avaliação médica criteriosa de cada caso ainda mais importante.
TRATAMENTO INDIVIDUALIZADO E RESPONSÁVEL
Em resumo, a decisão de iniciar ou não a terapia hormonal deve partir de uma análise completamente individualizada, considerando diversos fatores, como idade, tempo transcorrido desde a menopausa, histórico pessoal e familiar de câncer, doenças cardiovasculares, trombose e doenças metabólicas, além do estilo de vida e das preferências da mulher. Essa avaliação ajuda a definir a segurança do tratamento, o tipo de hormônio, a via de administração mais adequada e a menor dose eficaz.
É importante entender que os hormônios são um recurso valioso quando bem indicado, mas não o único para atravessar a menopausa com mais qualidade de vida. Exercícios físicos regulares, alimentação equilibrada, cuidados para o sono adequado, controle do estresse, entre outras ações de promoção à saúde também contribuem para o bem-estar nessa fase.
Além disso, é preciso, ainda, ter cautela com terapias hormonais divulgadas como soluções para o envelhecimento, o ganho de massa muscular, o emagrecimento e a longevidade, pois muitas não têm respaldo científico e podem trazer mais prejuízos do que ganhos.
Conte com a APS
Nas clínicas do programa Integração Saúde, o acompanhamento da saúde da mulher é totalmente individualizado e coordenado por uma equipe multidisciplinar preparada para atuar de forma preventiva e integrada em cada fase da vida. Isso permite uma avaliação segura e constante de todos os riscos, necessidades e possibilidades de tratamento mais adequadas.
Esse conteúdo foi produzido por meio do convênio Saúde em Dia, uma parceria entre Copass Saúde e GNSS – Gerência de Saúde e Segurança do Trabalho da Copasa